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TERRA MOLHADA

PROMESSA DE FRUTOS MADUROS, DE ABUNDANTES COLHEITAS... BÊNÇÃO DAS PRIMEIRAS CHUVAS DE VERÃO... DOCE PERFUME DE TERRA MOLHADA...

TERRA MOLHADA

PROMESSA DE FRUTOS MADUROS, DE ABUNDANTES COLHEITAS... BÊNÇÃO DAS PRIMEIRAS CHUVAS DE VERÃO... DOCE PERFUME DE TERRA MOLHADA...

'POETIZADOR' EU SOU...

 

 

POETIZANDO

 

Poesia pode ser

Um corpo de mulher

Feito porto de abrigo

Ou local de perigo

O teu é tudo isso

E tanto mais omisso

A arte de navegar

Adivinhando o mar

E todos os escolhos

No mapa dos teus olhos

Mas também pode ser

O inefável prazer

A escondida harmonia

Na musical cacofonia

Do bucólico dealbar

Ou este versejar

Tentando lembrar

Que hoje é o dia

Dedicado à poesia

UM SONHO TALVEZ...


Tu és

Aquela vez

Aquele céu

Meu e teu

Vulcão

Explosão

Princípio e fim

De ti e de mim

Em ti

Morri e renasci

Cem vezes uma vez

Ou mil vezes mil talvez

Tântrico fogo lento

A vida num momento

Aventura omitida

Música preferida

Tu és

O meu arnês

Na íngreme escalada

A bebida partilhada

Tu és

O meu dia de cada vez

Meu porto de abrigo

A bênção que bendigo

Mas também o pecado

Jamais revelado

Tu és

Um sonho talvez

PORTO DE ABRIGO

No sopé do teu ventre

Venço o quase impubescente

Triângulo das Bermudas

Ou quando te desnudas

De ti simplesmente

E aporto finalmente

Das colinas a montante

Onde me acolhi ofegante

Jorra a luz dos teus olhos

Iluminando os escolhos

Por onde naveguei

E a jusante rumei

Até chegar aqui

Ao epicentro de ti

Ao teu porto de abrigo

Onde já não corro perigo

E onde até descobri

Que afinal não morri

MALMEQUERES


Bem me quer mal me quer

Mulher

Se for esse o teu querer

Morrer

Morrerei contigo

Digo

Nada aos costumes

Gumes

São dois os da espada

Afiada

Do teu e meu querer

Viver

Acompanhas-me no segundo

Mundo

É o nosso destino

Rimo

A dor de te não ter

Mulher

Quero se tu quiseres

Queres

Desafiar o meu querer

Viver

Mal me quer bem me quer

TETRAEDRO DE FOGO...

REC_1.png

Nos teus olhos a negação

Pode ser percalço

Porém vou no encalço

E em reflexa reacção

Transformo o teu não

Onde adivinho indecisão

Em lenta degustação

Em deleitada fruição

Ainda contida

Mas agora consentida

Progressão

Palpação

Avaliação

E na clara percepção

Da tua palpitação

Diagnostico e prescrevo

A medicação

Porque o não

Nunca foi mesmo opção

Prolongamos a contenção

Do tântrico momento

Num século de fruição.

Até à ignição

À explosão

À combustão

Um minuto mil um milhão

Precedem a exaustão

Ou não

Porque a todo o momento

O reacendimento

Pode ocorrer

Se activo permanecer

O triângulo de fogo

(Tu e eu combustível 

Eu e tu comburente

E calor de nós dois)

Só haverá epílogo

Quando um dos dois

Aceitar o depois

Isto se não acontecer

Que entre o querer e o poder

Inesperada

Incontrolada

A triangular combustão

Vire tetraédrica reacção

Que nem o mútuo querer

Seja capaz de conter

(E sendo assim

O teu sim

Ou teu não

O meu não 

Ou o meu sim

Deixam de ser opção)


Uma abordagem poética  sobre a definição conceptual da química do fogo (a minha 'costela' de formador na prevenção de incêndios...).

DESPERTAR...

Manietas-me

Com a seda dos teus cabelos

Preenches

As breves horas do meu sono

Sonho

Que te deitas a meu lado

Aqueço-me

Na tua cútis em brasa

Sonâmbulo

Percorro-te a periferia

Tateio

Imaginários contornos

Exploro

Um venusiano monte

Inspiro

No cimo de duas colinas

Desperto

E a eréctil solidão

Ocupa

A cama pela metade

Vazio

Está o espaço ao lado

Concluo

Que sonhei

Porque não encontrei

Cabelos

Calor

Sinais de vénus

Colinas

Apenas te inventei

O TEU SORRISO

Fica a leste do paraíso

Onde céu terra e mar

Anoitecer e dealbar

Se juntam no teu sorriso

Pego a vaga maior

Até ao topo do mundo

E ao teu centro fecundo

Acolho-me no teu calor

E bem lá no fundo

Em tântrica apneia

A decisão titubeia

Por um milissegundo

Tateio-te no escuro

E emergindo de ti

Descubro que é aí

Que presente e futuro

Se hão-de misturar

No sopé das tuas dunas

No teu cais das colunas

Na orla do teu mar

Aí estará o meu nirvana

Ao sorver na tua pele

Com leve toque de mel

A sudorípara tisana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MULHER ÉS SIMPLESMENTE

 

És

Minha musa inspiradora

Senhora

Do fogo dos meus sentidos

Deusa

Das preces que rezo

Fada

Do bosque onde caminho

Ave

Meu Pássaro de Fogo

Sereia

Do mar onde navego

Música

Meu Lago dos Cisnes

Ícone

No altar que te erigi

Sonho

Do meu sono não dormido

Chão

Onde encontro equilíbrio

Cálice

Das minhas libações

Maná

No deserto que percorro

Néctar

Que me sacia a sede

És

Tudo o que tenho

Tens

Tudo o que preciso

És

O que me faz viver

Tens

A chave da minha vida

És

A minha eterna tulipa

És

A MULHER

VARIAÇÕES SOBRE UM CORPO DE MULHER...

Pressinto-te

No éter que nos separa

Ausente presente

Distante dentro de mim

E no hálito da noite cálida

Saboreio os teus imaginários beijos

Inalo da tua pele

O perfume da alfazema

Toco-te na minha mente

Mútua dádiva total

Dizem-mo os teus olhos

Na luz das estrelas

E no sorriso da Lua maior

E depois do amor

Acolho-me na tua foz

Desaguo no teu mar

Novo frémito nos percorre

Recíproca vontade

De repetir o percurso

De regressar à nascente

O teu mar de fogo na minha pele

Abraço-te na minha mente

Num amplexo ardente

Percorro-te de novo

De olhos fechados

Sorvo em ti na caminhada

O inconfundível néctar

Misto de sal e mel

Contenho-me nas margens

Neste tântrico caminhar

Sem pressa de chegar

E de novo a tua foz

Me acolhe cansado

Embalas-me nas tuas ondas

Cantas-me a canção

Das mil e uma noites de verão

Desperto do sonho

E durmo acordado

MEL E CANELA...

Acordo

Do sono que não dormi

Assomo á janela de ti

Sorvo  a tua madrugada

Ascendo à tua cumeada

Dormes

Vence-me a exaustão

Deito-me no teu chão

De cútis orvalhada

Anseio por ti acordada

Durmo

O que resta da madrugada

Breve instante quase nada

Acorda-me o aroma a café e pão

És tu de tabuleiro na mão

Provo

A mistura de mel e canela

Na tua boca que sabe a ela

Habituaste-me a gostar

Mas tenho sempre de provar

Saciados

Vamos ter de negociar

E  uma vez mais optar

Entre manter a chama

Ou arrumar a cama

Optamos...