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TERRA MOLHADA

PROMESSA DE FRUTOS MADUROS, DE ABUNDANTES COLHEITAS... BÊNÇÃO DAS PRIMEIRAS CHUVAS DE VERÃO... DOCE PERFUME DE TERRA MOLHADA...

TERRA MOLHADA

PROMESSA DE FRUTOS MADUROS, DE ABUNDANTES COLHEITAS... BÊNÇÃO DAS PRIMEIRAS CHUVAS DE VERÃO... DOCE PERFUME DE TERRA MOLHADA...

MORRER DE NOVO...

Desci

mergulhei imergi

toquei bem no fundo

do teu eu mais profundo

(ou será que emergi

por estar abaixo de ti)

sobrevivi

(eu acho que morri)

deixando-me queimar

ou afogar

no teu magma no teu mar

impossível viver sem ti

caminho

em terreno aberto

o passo incerto

que mesmo sem escolhos

me faltam teus olhos

para ver o caminho

repouso

mas no meu sono agitado

há um desejo inconfessado

por isso ouso

voltar a imergir e morrer

(ou renascer)

desço

e de novo em ti

esqueço que imergi

e permaneço

dói tanto o recobro

que não quero emergir de novo

 

MAPA DE TI...

 

Mapa de uma estrada

Mil vezes percorrida

Noite mal dormida

Melodia inacabada

Ponto de partida

Aurora boreal

Apelo matinal

De libido renascida

Dedilho teus cabelos

Dó-ré-mi solfejo

Fá-sol e só desejo

Que escutes meus apelos

Lá-si e recomeço

O solfejo é mesmo assim

Si de ti mi de mim

Na meia encosta de ti

Respiração inconstante

Paro por um instante

Vivo ainda ou morri

Mas não faz sentido

A dúvida que me assalta

Se eu sinto a tua falta

Como posso ter morrido

Volto ao mapa da estrada

Ao teu corpo fremente

E fica de novo urgente

Reiniciar a escalada

Desde o ponto de partida

Porque a aurora boreal

Ou este vigor matinal

Não vão durar toda a vida

 

DEVAGAR, COMO QUEM CORRE...


Enlaças-me apertas-me

Como trepadeira ao seu tutor

E gemes imploras ou ordenas

Que venha depressa que voe

Mas eu não vou nem voo

Nem podia fazê-lo

Porque já estou

Precoce cheguei

Mesmo sem me apressar

Dez vezes dez contei

Devagar como quem corre

Sobre a corda bamba

Qual funâmbulo sem o ser

Correndo o risco de cair

Cavalguei o nada

Que antes de ti

Era apenas o verbo

E chegado ao fim da linha

À última estação

Sem te ver a meu lado

Entre o desistir

E viajar noutro dia

Decidi esperar por ti

Até que chegaste

Me enlaçaste me apertaste

Ascendeste sobre o meu cansaço

Ordenaste que fosse e eu fui

Como se fosse a vez primeira

Dez vezes dez contei

Como da primeira vez

E voei como ave marinha

Voo mergulho voo mergulho

Dez vezes dez contei

E retemperados (ou cansados) chegamos!

 

NATAL DE PARTILHA...


Natal pleno é
Ajudar o outro a ter igual
A tudo o que já temos
(E às vezes não merecemos)
Mesmo antes do Natal
E também não ficaria mal
Um pouco de luz a menos
Porque só assim veremos
O brilho da estrela - a tal
Que dizem foi o sinal
Do Natal que hoje temos
Do Natal que queremos
Menos desigual
Aqui ou em Nazaré


P.S.: Do mais simples dos desejos se pode fazer um projecto e do projecto mais simples pode nascer uma Obra...
Este é apenas o meu desejo mais simples que gostaria simplesmente de partilhar com todos os meus amigos...
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

ALFENA (OU AL-HENNA) A BELA...

Benvindo Rio Leça

Que sem pressa

Deixas a nascente

Descendo indolente

Desde o Redundo

Descontrai respira fundo

Não tenhas pressa

De chegar a Leça

Tua e da Palmeira

Abranda a canseira

Descansa em Alfena

Ou Al-Henna

Mas a quem esta gente

Já chamou de S. Vicente

Da Queimadela

Repara como é bela

Como é cortejada

E tão disputada

Por tantos pretendentes

Dizem-se Independentes

Mas eu acho que são casados

Ou então andam enrolados

Com outras de mau porte

Descansa Leça e dá-nos sorte

Para a podermos ajudar

Que o assédio vai apertar!











FIM DE ESTAÇÃO...

Ainda consigo lembrar
Na ténue rebentação
Das ondas do teu mar
Quando ouso mergulhar
Cada vez mais fugaz
O meu olhar
Bem no fundo de ti
Aquela outra maré
Em que perdi o pé
E a razão
Mas os bramidos
Da tua preia-mar
Ou os gemidos
Do teu amainar
Que faziam a rotina
De todos os dias
Já não fazem soar
Trombetas celestiais
E  até no céu
Do teu olhar
E também do meu
Aos alvores matinais
Tolda-os agora um véu
De névoa fria
O cheiro a maresia
Começa a dar lugar
Ao odor mais denso
E menos apelativo
Da terra molhada
O sol que nasce em ti
Brilha menos intenso
E copia do  Astro Rei
O gesto furtivo
Da carícia roubada
Ou não consumada
É a mudança de Estação
Porque também o amor
Tal como o Verão
Perde o fulgor
De forma natural
Só que mais radical
Definitivo e fatal
Porque neste caso o processo
Não tem forma de regresso

(Inspirado em partes iguais, no relembrar de vidas passadas e na observação atenta da imensidão deste mar de Vila Praia de Âncora em finais de Agosto deste ano de 2009)

QUASE NADA...

Mil vezes tentei
E outras tantas desisti
Quase fiquei
Quase parti
Mas só quando quebrei
A dependência de ti
E me libertei
Percebi
Que quase nada
Mantinha a chama
E esta apagada
Resta a quem ama
Pouco mais que nada
Acabamos pois com tudo
(Afinal quase nada)
Parti mudo
E tu calada
Afinal para termos tudo
Faltou só um quase nada
De tudo...

DÚVIDAS...

Hesito...
Entre o dinâmico vai - vem
Ou a estática que me retém
E fico
Porém
Tal como a água da levada
Não move moinhos parada
Também
Parado
À espera que aconteça
Ou que o forno aqueça
Apagado
Equivale
Ainda que mal comparado
A querer ter-te a meu lado
Divinal
Palpitante
Sem te ter cortejado
Sem me fazer amado
E neste instante
Já não hesito!

 

VAZIO INTERIOR...

 

 

É quase uma constante
Este estado inconstante
Esta busca inacabada
Ou sequer iniciada
Que já não estou certo
Se caminho no deserto
Ou se imóvel me movo
Porque mesmo parado
Busco-te em todo o lado
Neste vazio interior
Porém pleno de dor -
- Desde o dia em que senti
Que caminhando sem ti
Morro em cada passada
Sufoco em cada golfada
Do ar que respiro
Num último suspiro
Que não ouso soltar
Enquanto não te encontrar

 

A FORÇA DA RAZÃO...

 

Insensatos...
Os vossos desacatos
Traíram a canção
Que apelava à união
Estragaram a magia
Deste dia
De festa e de luta
Não de força bruta
As “palavras de ordem”
Não apelavam à desordem
Porque os argumentos
Quando são violentos
Não movem consciências
Geram resistências
Só a força da razão
De que nos fala a canção
Congregando os amigos
Vencerá os inimigos
Regressem pois ao refrão
Não silenciem a canção!