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TERRA MOLHADA

PROMESSA DE FRUTOS MADUROS, DE ABUNDANTES COLHEITAS... BÊNÇÃO DAS PRIMEIRAS CHUVAS DE VERÃO... DOCE PERFUME DE TERRA MOLHADA...

TERRA MOLHADA

PROMESSA DE FRUTOS MADUROS, DE ABUNDANTES COLHEITAS... BÊNÇÃO DAS PRIMEIRAS CHUVAS DE VERÃO... DOCE PERFUME DE TERRA MOLHADA...

MULHER ÉS SIMPLESMENTE

 

És

Minha musa inspiradora

Senhora

Do fogo dos meus sentidos

Deusa

Das preces que rezo

Fada

Do bosque onde caminho

Ave

Meu Pássaro de Fogo

Sereia

Do mar onde navego

Música

Meu Lago dos Cisnes

Ícone

No altar que te erigi

Sonho

Do meu sono não dormido

Chão

Onde encontro equilíbrio

Cálice

Das minhas libações

Maná

No deserto que percorro

Néctar

Que me sacia a sede

És

Tudo o que tenho

Tens

Tudo o que preciso

És

O que me faz viver

Tens

A chave da minha vida

És

A minha eterna tulipa

És

A MULHER

VARIAÇÕES SOBRE UM CORPO DE MULHER...

Pressinto-te

No éter que nos separa

Ausente presente

Distante dentro de mim

E no hálito da noite cálida

Saboreio os teus imaginários beijos

Inalo da tua pele

O perfume da alfazema

Toco-te na minha mente

Mútua dádiva total

Dizem-mo os teus olhos

Na luz das estrelas

E no sorriso da Lua maior

E depois do amor

Acolho-me na tua foz

Desaguo no teu mar

Novo frémito nos percorre

Recíproca vontade

De repetir o percurso

De regressar à nascente

O teu mar de fogo na minha pele

Abraço-te na minha mente

Num amplexo ardente

Percorro-te de novo

De olhos fechados

Sorvo em ti na caminhada

O inconfundível néctar

Misto de sal e mel

Contenho-me nas margens

Neste tântrico caminhar

Sem pressa de chegar

E de novo a tua foz

Me acolhe cansado

Embalas-me nas tuas ondas

Cantas-me a canção

Das mil e uma noites de verão

Desperto do sonho

E durmo acordado

MOMENTO ÍNTIMO...

Amor dor amor prazer

Dor de te não ter

Por auto imposição

Por abdicação

Prazer

Se às convenções disser não

Se escolher a emoção

Amor dividido

Entre o amor proibido

E o que nos é permitido

No contrato promessa

Assumido na pressa

De fotógrafos apressados

Da gula dos convidados

Mas amor que fosse

Naquela modorra doce

De mel apelidada

Onde a lua é invocada

Inevitável

A geometria variável

Do coração

Aos costumes dirá não

Reconquistarei o passado

Ou presente adiado

E juro

Que o farei futuro

Sem fotógrafos apressados

Nem gula nem convidados

Amor prazer

Por te voltar a ter


Breve desresponsabilização (citando um fragmento de Autopsicografia de Fernando Pessoa):

 

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

ACREDITAR!

Encontro inesperado

No local mais improvável

O mesmo ar afável

O mesmo sorriso rasgado

Mas senti que era diferente

Menos seguro o seu caminhar

Menos brilhante o seu olhar

Amigo atento nota sempre

E ainda que o sofrimento

Seja algo indefinido

Ou apenas pressentido  

Senti-o nesse momento

Como a bruma matinal

Na despedida do Verão

Pressagiando a transição

Para a estação outonal

Mais tarde nesse dia

Tive concreta explicação

Na conversa que travamos

Recusei apreensão

E consensualizamos

Que quem avaliasse só podia

Definitivamente dizer não

Se da amiga o coração

Porventura periclita

O dos amigos incita

No meu léxico minha querida

Desânimo é palavra banida

Outra acabo de inventar

Acreditar

 

Escrito em 14 de Setembro.

(Um gesto de solidariedade para com uma amiga muito querida, a braços com uma dúvida sobre a sua saúde – que espero, ou melhor, que acredito, não virá a confirmar-se!)

MEL E CANELA...

Acordo

Do sono que não dormi

Assomo á janela de ti

Sorvo  a tua madrugada

Ascendo à tua cumeada

Dormes

Vence-me a exaustão

Deito-me no teu chão

De cútis orvalhada

Anseio por ti acordada

Durmo

O que resta da madrugada

Breve instante quase nada

Acorda-me o aroma a café e pão

És tu de tabuleiro na mão

Provo

A mistura de mel e canela

Na tua boca que sabe a ela

Habituaste-me a gostar

Mas tenho sempre de provar

Saciados

Vamos ter de negociar

E  uma vez mais optar

Entre manter a chama

Ou arrumar a cama

Optamos...

 

AMAR, HIPERVENTILAR

Hoje não consigo escrever sobre ti

Consigo apenas pensar em ti

Hoje não escuto o que dizes

Mas saboreio-te as palavras

Antes que as digas

Porque obturadas

Da forma habitual

Leio-as no teu coração

(Escritas ditas gravadas

Podem ser editadas)

Bebo-as pois na fonte

Borbulhantes espontâneas

Sem aditivos

Despidas de adjectivos

Não processadas

Mas hoje era sobre nós

Que queria falar

Com o coração

Por opção

E porque a dicção

Me titubeia e periclita

Hoje queria

(Hoje quero desejo anseio)

Respirar-te

Hiperventilar

E amar amar amar-te

INTROMISSÕES...

Gosto

Contragosto

Desgosto

Interposto

Exposto

Indisposto

Compreendo o teu gosto

E só a contragosto

E com manifesto desgosto

Aceito ficar interposto

Sinto-me exposto

Manifestamente indisposto

Indisposto porque exposto

Exposto porque interposto

Interposto com desgosto

Desgosto, contragosto

Gosto, não gosto

A trois nem a contragosto

Manifestamente e com desgosto

Não gosto do teu gosto!


Que fique claro: o fenómeno existe, ganha dimensão (“ménage à trois”, “swing” e todas a outras designações possíveis, para uma forma de partilha que não faz sentido) mas a descrição anterior nada mais é do que o resultado da pura imaginação criativa do autor. E assim sendo, fica inteiramente em aberto a hipótese de não ter razão - e de fazer algum sentido aquilo de que não gosta...)

RETIRO ESPIRITUAL...

Talvez faça sentido

E seja este o momento

De ser como o vento

Ou o leão enfurecido

De ser a tempestade

Porque a permanente bonança

Dificulta a mudança

De não ficar pela metade

De quebrar as amarras

De interromper o mito

Em que já não acredito

Já não sinto aquela chama

Quando me agarras

Talvez deva cortar amarras

Rumar à minha Taprobana

(E construir nela uma cabana

Com apenas um lugar)

E um dia pode acontecer

Quem o pode adivinhar

Que tenha de duplicar

O espaço de acolher


Uma coisa é aquele tipo de construção que por vezes fazemos no nosso imaginário para um percurso possível relativamente à nossa vida, outra bem diferente é a probabilidade ou a possibilidade mesmo remota de que o mesmo se possa vir a concretizar.

A imaginação é talvez uma segunda forma de viver e ao contrário dos vários tipos de vida em comum que nos podem ocorrer, esta é sempre muito pessoal. A regra, é quase sempre mantê-la no nosso baú das "coisas secretas" que apenas em momentos muito especiais nos atrevemos a visitar.

 

 

PORTAL DO TEMPO...

No portal do tempo

Paro por um momento

Nem fora nem dentro

Sei que posso voar

Se à tua eu juntar

A recusa de abdicar

Mas posso também

Optar pelo aquém

Terra de ninguém

É breve a hesitação

No fundo simples opção

Entre cérebro e coração

Decido e entro

No portal do tempo

E em passo lento

Caminho

Tu és o caminho

Cheiras a pinho

Acabado de serrar

És  o meu altar

Onde me apetece rezar

És a minha fonte

A minha ponte

Até ao horizonte

Porém algo acontece

O dia amanhece

E o sonho fenece

Não há portal do tempo

Nem o teu altar

É de madeira de pinho

Acabada de serrar

Nem és o meu caminho

Nem me apetece rezar

Nem eu caminho

Porque acabo de acordar

UMA GALÁXIA MUITO PRÓXIMA...

Mexes comigo

Contigo 

Eu vibro

Eu acelero

E partindo do zero

Já te espero

Quando chegas aos cem

Contigo sinto-me bem

E vou sempre mais além

Na noite cálida contamos estrelas

Mãos sob a nuca tu ficas a vê-las

Porém a teu lado eu escolho aquelas

Que nos teus olhos contemplo

E por um momento

Eu apago as do firmamento

Interpondo-me entre elas

E o brilho daquelas

Que considero as mais belas


Há noites assim, em que as estrelas nos desassossegam. As que vemos sem poder tocar e aquelas em que tocamos e onde por vezes mergulhamos - que há estrelas assim, com mar, onde podemos ir e voltar, mergulhar, viver e morrer sem deixar de respirar. Estrelas que nunca deixaremos de amar...

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