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TERRA MOLHADA

PROMESSA DE FRUTOS MADUROS, DE ABUNDANTES COLHEITAS... BÊNÇÃO DAS PRIMEIRAS CHUVAS DE VERÃO... DOCE PERFUME DE TERRA MOLHADA...

TERRA MOLHADA

PROMESSA DE FRUTOS MADUROS, DE ABUNDANTES COLHEITAS... BÊNÇÃO DAS PRIMEIRAS CHUVAS DE VERÃO... DOCE PERFUME DE TERRA MOLHADA...

PARTILHO-TE COMIGO...

 No meu sonho, os vários frames vão-se agrupando e a imagem vai ganhando consistência. Molécula a molécula, ela deixa de ser o holograma que me acompanha desde que comecei a desejar-te,  para tal como a sonhei, como a sentia desde há muito no meu pensamento,  assumir finalmente as três dimensões de um corpo – do teu corpo - na minha boca que o saboreia, nas minhas mãos que o dedilham na melodia que eu componho ao tocá-lo  – a solo, na intimidade da minha mente, porque tu serás sempre uma das minhas obras não publicadas: publicar-te implicaria partilhar-te e eu apenas aceito fazê-lo com os meus sentidos e só a eles permito que te disputem:

O tacto rouba-te de mim por milésimos de segundo, os suficientes para eu sentir - tão intensa como no primeiro - a força do segundo big-bang.

Mas o olfacto capta o teu perfume, misto de rosas, frutos silvestres e maresia e coloca-se também por uma fracção de segundo na posição de vencedor.

Até que os batimentos do teu peito os gemidos da tua entrega, te conduzem à outra parte de mim, aos meus ouvidos e fazem-me perceber que já não toco a solo, porque do piano, do cravo ou do violoncelo em que os nossos dois corpos se transformaram, já não sai apenas a singela melodia inicial, mas já mais elaborada, uma quase sinfonia.

E vem depois o outro eu, o meu olhar, em voo planado sobre as colinas do teu corpo, contornando o bosque que esconde o teu vale mais recôndito, até avistar serpenteando nas margens de ti o fresco córrego que começa a brotar da tua nascente.

A alegria que não consegue disfarçar, é o sinal para o último rival escondido em minha boca, que como os anteriores e à sua maneira te quer conquistar, te prova, te bebe, te saboreia, mas finalmente mais magnânimo, te divide com todos os que nas batalhas anteriores não conseguiram ganhar-te.

E juntos, transformam-te no maná, no manjar dos deuses que finalmente unidos os cinco – as cinco partes de mim - acabamos por partilhar!

 

(02-08-2008)

 

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